A mobilidade corporativa passa essencialmente pela humanização e o tempo!

Na 11ª Edição do Procurement Club o tema foi Mobilidade Corporativa. Flávio Tavares, Fundador do Instituto PARAR, idealizador do WTW um dos maiores eventos de mobilidade do mundo e  CMO da GolSat, fez um contraponto sobre o debate que levanta a ideia de substituir a mão de obra do ser humano por robôs.

Tavares falou Sobre a desconstrução do conceito de mobilidade diante da contradição de as tecnologias proporcionarem cada vez mais sedentarismo; e trouxe ainda a valorização do tempo, colocando-o no foco do debate, o considerando ponto chave do conceito de mobilidade.

“Cada vez mais tudo se move para que a gente não se mova.” Patinete elétrico, escada rolante, elevador que não precisa nem mesmo apertar o botão… Enfim, uma inteligência artificial que tem provocado cada vez mais sedentarismo.

O assunto é tão sério que a OMS lançou um conjunto de ações com o objetivo de diminuir o sedentarismo em 15% até 2030.

Dentre as reflexões deixadas na palestra, uma delas foi a de ampliar o conceito de mobilidade indo além de movimento e locomoção.

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Flexibilidade Corporativa

O trânsito caótico é gerado em grande parte por quem reclama dele. Enquanto todas as pessoas, ou a grande maioria, estiver saindo de casa para trabalhar às 08h e voltando às 18h, o famoso “horário de pico” continuará. Assim sendo, a flexibilidade corporativa deve passar por algumas mudanças quanto a horário e espaço físico, entre outros pontos fundamentais para melhorar as condições de trabalho e qualidade de vida dos colaboradores.

A implantação de novas tecnologias faz parte dessa mudança. Algumas já acontecem há algum tempo no ambiente corporativo, como por exemplo reuniões por vídeo conferência. Outras, ainda precisam ser colocadas em prática.

Toda mudança deve ter na balança o foco do aumento da produtividade, a melhora da qualidade dos produtos e serviços, bem como o olhar cuidadoso sobre quem movimenta tudo isso. As pessoas! Encontrar esse equilíbrio é o segredo para ter um escopo bem estruturado e acompanhar as atualizações de mercado.

Inovação e consciência sobre as necessidades de adequação às tendências para atender a demanda das gerações que chegam ao mercado de trabalho são inerentes às resistências de uma gestão conservadora.

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Mobilidade é Tempo

Quando se pensa em mobilidade, automaticamente se pensa em deslocamento. Atualmente o tempo médio que o paulistano gasta por dia no trânsito, se deslocando entre dois pontos, é de 2h43 min.

Uma pesquisa feita pelo instituto PARAR constatou que 44% das pessoas considerariam ganhar até 20% menos se pudessem gerenciar seu próprio tempo. Na mesma pesquisa, 49% dos respondentes aceitariam ganhar 10% menos para trabalhar mais perto de casa.

  • No mundo, 50% dos deslocamentos são em virtude de trabalho
  • No Brasil, 9 milhões de pessoas demoram mais de uma hora para chegar ao trabalho

O que as pessoas mais querem na vida hoje é ter tempo. Então, mobilidade essencialmente é tempo. Porque as pessoas discutem sobre melhorar a mobilidade? Porque querem ter tempo para fazer outras coisas, ao invés de ficarem paradas no trânsito…

“Do ponto de vista do trabalho, as pessoas não compram o que a gente faz e sim as horas que a gente entrega pra elas.”

Isso remete novamente ao modelo de contratação das 08h às 18h. Muitas vezes a pessoa está ali apenas para cumprir um horário… É preciso ampliar esse debate para identificar as áreas e serviços factíveis de mudança, pois, em alguns, a entrega é quem determina o tempo que, muitas vezes, não precisa ser feito na empresa. É o conhecido “trabalho remoto” ou home office.

Durante a palestra Flávio Tavares, comentou que “em 2017 morriam até 2 motoqueiros por dia em São Paulo. No ano de 2018 a média subiu para 3 motoqueiros por dia.” A faixa etária que mais morre no trânsito, segundo dados apresentados pelo palestrante, são jovens de 18 a 34 anos, representando 50% dos óbitos.

“Enquanto estamos no conforto do nosso lar fazendo pedidos por telefone, usando o famoso serviço de “delivery”, os jovens estão morrendo.”

Se não for implantada alguma alternativa eficiente, a tendência é continuar assim; ou pior, cada vez mais motoqueiros, entregadores vão morrer no trânsito enquanto as pessoas, “encasteladas” fazem seus pedidos; seja do mercado, farmácia ou restaurante.

Robôs e Humanos

A ideia de “substituir” humanos por robôs passa pelo uso da tecnologia e da inovação para mudar isso. Uma pesquisa da BCG constatou que nas estradas com taxi-robôs o índice de acidentes é 90% menor. A chegada dos drones para “transportar vidas” pode ser uma solução ampliada para outros tipos de “delivery”.

Nesse debate, pensar em alternativas inovadoras e tecnológicas passa, impreterivelmente, pela reflexão sobre novas profissões. A área de engenharia eletrônica, por exemplo, e outras que tendem a convergir e interagir entre si, podem ser a nova oportunidade do futuro; que é agora!

Assim sendo, pensar na substituição de pessoas por máquinas, para que as pessoas tenham mais tempo para fazer o que os “robôs” não podem fazer, como por exemplo, brincar com os filhos, namorar, fazer uma atividade física… É transferir o foco do debate para o ser humano e a qualidade de vida.

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A média de acidentes de trânsito causados por negligência humana está na casa dos 90%. O excesso de velocidade é a causa de quase 22%.

“Certa vez fiz um pedido e o entregador chegou todo machucado. Perguntei o que tinha acontecido. Ele disse que havia se machucado mas precisava concluir a entrega e depois iria se cuidar…” É desumano pensar que a pessoa tenha que deixar a própria saúde e cuidado para depois… Com este ponto de vista, muito melhor seria se houvesse a oportunidade de profissões em que o risco de vida é menor.

A raiz da inovação e da tecnologia causa impacto diretamente na vida, tanto no âmbito pessoal quanto profissional. Ampliar esse olhar, sobre a mobilidade está diretamente relacionado a sair da zona de conforto e propor mudanças.

Essa é a ideia da substituição pelas máquinas. A tecnologia proporcionar mais tempo e qualidade de vida para as pessoas é o objetivo destas reflexões.

“Essencialmente falar de mobilidade é cuidar de pessoas. Porque quando a gente está falando de qualquer modal… Modal é o meio não é o fim. O fim são pessoas. Porque não existe modal sem pessoas…”