Projeto de aproximação com as startups deve ser feito por meio de contratos

Se você é o gestor de uma grande empresa, já deve ter percebido que a atuação entre startups e empresas deixou de ser uma tendência; é uma necessidade no mercado atual. Cada vez mais as corporações querem continuar relevantes, e as startups desejam ganhar espaço e notoriedade no mercado. Portanto, o processo de aproximação entre empresa e startup deve ser realizado.

As startups podem auxiliar as grandes empresas no que diz respeito ao modo como se relacionam com os clientes. O profundo detalhamento do mercado que atuam e a maneira como lidam com as novas ideias podem ser replicadas em qualquer tipo de negócio.

Outro principal benefício é a velocidade de entrega, no estilo Plug & Play; no caos de produtos, que, em tradução livre significa “ligar e usar”. Em outras palavras, produtos de fácil configuração e instalação, elaborados especificamente para determinado problema.

Por isso, antes de começar um processo de aproximação com uma startup é preciso definir um objetivo claro. Assim será possível entender de que forma essa parceria pode contribuir para o negócio. Em contrapartida, a corporação precisa saber o que pode oferecer em troca.

Alguns exemplos de como criar esse projeto de aproximação com as startups são por meio de contratos.

Diversificação nos Modelos de Contratos

Empreender nunca é fácil. Buscando reduzir o risco e a incerteza, essa relação entre empresa e startup deve ser formalizada com contrato. Existe uma variedade de modelos de contratos no mundo empresarial. Então, para adaptar às startup surgiram novos modelos que todo empreendedor precisa conhecer para desenvolver seu trabalho da forma mais segura e correta possível.

Nesses casos, é interessante que o contrato trate dos direitos de propriedade intelectual e industrial envolvidos no relacionamento entre startup e corporação; tanto os direitos que já existia, quanto os que surgirão em função da parceria. Além disso, deve englobar também questões de confidencialidade de informações de ambas as partes.

Reunimos aqui um guia sobre os tipos de contratos que sua empresa poderá utilizar durante os vários estágios do negócio. Confira!

Piloto

O Programa Piloto ou POC permite que potenciais compradores testem produtos e serviços antes de comprá-los. O objetivo final é comprovar a capacidade da startup e ajustar processos internos para esse tipo de contato.

O mais importante é se resguardar sobre questões relativas à propriedade intelectual. Outro ponto importante é prever a indenização de possíveis investimentos que sua empresa tenha que fazer para executar o piloto; evitando prejuízos em caso de encerramento do POC.

Parceria Comercial

Outra forma de aproveitar o potencial inovador de uma startup é tornar-se parceiro comercial da empresa. Essa é uma boa forma de iniciar este processo de aproximação.

Corporate Venture

Modelo mais clássico de relacionamento entre grandes empresas e startups. De forma simplificada, definimos Corporate Ventures como novas unidades de negócio em empresas já existentes. Aqui, a corporação faz um aporte de recursos em startups que estão em busca de investimento.

Com o passar do tempo, soluções que provoquem impacto mais significativos podem ser adquiridas em definitivo, gerando vantagem competitiva à empresa frente seus concorrentes.

Memorando de Entendimento

MOU ou Memorando de Entendimento é um tipo de contrato que serve para abordar questões como: propriedade intelectual, responsabilidades e atribuições de cada sócio. Tomada de decisão, procedimentos operacionais e futura participação societária, quando a empresa for formalizada, também estra neste formato.

Contrato de Vesting e Cliff

O Vesting e Cliff referem-se ao tipo de contrato independente ou mesmo cláusulas, que tratam das obrigações essenciais para que um futuro sócio ou colaborador receba participação societária no futuro. Os termos essenciais tratam do período mínimo de vínculo, carga horária mínima e consequências em caso de abandono prematuro do projeto.

Contrato de Advisor/Broker

Esse tipo de contrato é muito comum em startups para atrair investidores. Este regula o comissionamento de um advisor/broker, também conhecido como mentor de negócio; para a realização de aconselhamento e auxílio na captação de dinheiro para uma empresa.

Contratos de Investimento

Esses são tipos de contratos firmados entre uma empresa, seus sócios e um ou mais investidores; em que o investidor garante uma futura participação societária na empresa em troca de investimento no valor presente.

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Termos de Confidencialidade (NDA’s)

Um contrato NDA ou do inglês “Non Disclosure Agreement” é um acordo em que as partes que o assinam concordam em manter determinadas informações confidenciais.

Acordos de Propriedade Intelectual

Esses contratos podem ser independentes ou integrar os contratos de trabalho. Geralmente tratam da propriedade intelectual das criações, invenções e produção realizada no projeto.

Termos de Confidencialidade

Estes termos podem fazer parte de um contrato geral de trabalho ou de um documento separado. Em se tratando de colaboradores, o aspecto mais importante é tratar de proteções relativas a não concorrência; prevendo pena de multa e indenização na hipótese de um ex-colaborador resolver trabalhar com seu concorrente.

Contrato de Trabalho tradicional (CLT)

A contratação de colaboradores sob o regime da CLT indicam os termos de emprego, como: salário, benefícios, férias, jornada de trabalho, entre outros. Existem posições em que a contratação sob esse tipo de contrato é essencial para a redução de risco jurídico.

Contrato PJ

O contrato de prestação de serviços é utilizado para regular a relação entre profissionais liberais e a sua empresa. É importante lembrar que, contratos desta natureza não afasta a eventual existência de vínculo empregatício e reclamações trabalhistas. É muito comum que esse tipo de contrato baseie-se nas atividades cabíveis aos microempreendedores individuais (MEI).

Contrato de Prestação de Serviços

A prestação de serviço tem se tornando uma tendência no Brasil e em outros países já desenvolvidos. Este contrato regula todas as regras de pagamento, multas, prazos, escopo do serviço, SLA (nível mínimo de qualidade), entre outras. O controle dessas condições é extremamente importante para manter a gestão desse tipo contrato.

Termos de Uso (T&C) e Política de Privacidade

Trata-se de um contrato de adesão, utilizado para facilitar a contratação massificada de serviços digitais. Este documento deverá ser facilmente acessível dentro do site ou plataforma.  E irá conter todas as regras de utilização, riscos, benefícios direitos e deveres tanto do usuário quanto da empresa. Além disso, é importante trazer as regras relativas à privacidade dos dados coletados dos usuários, sempre em acordo com as regras do Marco Civil da Internet.

Acordos de Distribuição

Estes geralmente envolvem um fabricante/fornecedor e um distribuidor. Os termos essenciais tratam das regras de logística, precificação, território de atuação, duração do contrato e responsabilidades das partes.

Contratos de Revendedor

São acordos com empresas que compram produtos que agregam valor. Os principais termos desse tipo de contrato trata da responsabilidade das partes no pós-venda bem como território de atuação.

Depois de decidido a melhor forma de iniciar a aproximação com as startups, é importante pensar em qual perfil de empresa faz mais sentido para o seu negócio.

No final, teremos empresas alcançando melhorias para seus negócios e startups conseguindo mais investimento e visibilidade para irem em frente com seus projetos. Dessa forma, é essencial olhar para startups não como rivais, mas como potenciais negócios que buscam agregar valor em seu ramo de atuação.

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Solo Inovador: As Startups Brasileiras

Empreender no Brasil não é uma tarefa fácil. Mas, as startups nacionais estão recebendo mais atenção a cada ano. Com a ajuda de investidores, aceleradoras e incubadoras, o cenário vem se abrindo aos novos empreendedores.

Em 2018, seis startups conseguiram se firmar alcançando o valor de mercado avaliado em, pelo menos, US$ 1 bilhão. Seja no setor financeiro, de educação ou transporte urbano, o cenário para as novas empresas tem se expandido.

99

A 99 foi a primeira startup brasileira a alcançar a marca do bilhão. Criada em 2012 por Ariel Lambrecht e Renato Freitasm, formados pela Politécnica da USP, quando ainda era conhecida como 99Taxi; a startup nasceu a partir de uma vaquinha de baixo orçamento. Cada sócio investiu R$ 1 mil por mês na empreitada e chegou com a missão de facilitar os serviços de táxi já existentes no país; mas foi muito além.

Em março de 2017, a chinesa DiDi Chuxing, também atuante no mercado de mobilidade urbana, injetou US$ 100 milhões na 99. Um ano depois, comprou fatias avaliadas em cerca de US$ 1 bilhão, que eram detidas por investidores como o Qualcomm Ventures e o SoftBank, entre outros, tornando a startup o primeiro unicórnio do Brasil.

Nubank

Para modernizar a prestação de serviços financeiros no Brasil frente à oligarquia bancária, surgiu, em 2013, a Nubank. Uma fintech (startup que trabalha para inovar e otimizar serviços do setor financeiro) hoje conhecida por atender à maior cartela de clientes fora da Ásia. Em março de 2018, a startup recebeu sua sexta rodada de investimentos, com aporte de US$ 150 milhões, liderada pelo fundo DST Global, do investidor Yuri Milner. Os fundos foram responsáveis por tornar o Nubank a segunda startup brasileira a atingir o bilhão.

Arco Educação

Criada em 2004 para atender à demanda do sistema de ensino particular no Ceará, firmou sociedade com a General Atlantic que deteve um quarto do capital e possibilitou a expansão dos serviços de educação cearenses para o resto do território nacional.

Hoje, a startup atende a 5% do mercado brasileiro de ensino fundamental e médio privado. Em setembro de 2018, a empresa se lançou na Nasdaq e captou US$ 220 milhões, se tornando a terceira startup do Brasil alcançar o valor US$ 1,18 bilhão e mercado.

Stone

A Stone foi fundada em 2013 e contou com acionistas de grande peso desde o início, como o fundo britânico Actis e a Madrone Capital Partners. Em outubro, a Stone seguiu os passos da Arco Educação e também se lançou na estadunidense Nasdaq, com ações sendo vendidas por US$ 24, valor que superou as mais otimistas previsões e chamou atenção de investidores de renome, como Warren Buffett e a Ant Financial, braço do Alibaba e dono do Alipay, uma referência no setor de pagamentos.

Apesar de seu IPO ter ocorrido em um momento tumultuado — na véspera da estreia, a bolsa experimentou a pior queda diária em sete anos, de 4,43%, a empresa acabou captando US$ 1,2 bilhão e se tornou a quarta startup brasileira, sendo cotado no mercado por US$ 6,7 bilhões.

Movile e Ifood

Quando a Movile começou, em 1998, o serviço ofertado era a automatização de mensagens de celular para bancos, companhias aéreas, entre outros setores. Dez anos depois, já transferida de Campinas para a capital paulista, outros negócios foram adquiridos pela Movile.

A expansão se deu com um aplicativo de entregas de comida em domicílio criado em 2013, reunindo apenas dez funcionários em um prédio de Jundiaí, na região da Grande São Paulo. Essa startup é, atualmente, conhecida como iFood e faz 12 milhões de entregas por mês, representando metade do faturamento da Movile. Tanto a Movile como o iFood ultrapassaram a marca do US$ 1 bilhão em março de 2017.